
SÃO PAULO - Após forte queda recente, as Bolsas apresentam um pregão de recuperação nesta quinta-feira (24). Na véspera, quando os mercados asiáticos, européia e brasileira já estavam fechados, Wall Street reverteu sua trajetória de baixa e acabou encerrando com ganhos expressivos, depois de bastante volatilidade.
Enquanto os analistas técnicos encontram nos seus indicadores a explicação para o repique para cima, os fundamentalistas buscam justificativas para a recuperação em fatores econômicos.
Para os primeiros, a penalização nos pregões anteriores levara muitas ações a níveis sobrevendidos, como demonstrado, por exemplo, pelos IFRs (Índices de Força Relativa), em um prenúncio de valorização iminente.
Já os fundamentalistas argumentam que a possibilidade de adoção de um plano de ajuda a seguradoras norte-americanas afetadas pelo subprime foi determinante para a inflexão
Mais sensível
De fato, constata-se nos pregões recentes um aumento da sensibilidade do preço dos ativos a qualquer notícia ou rumor envolvendo a situação da economia norte-americana.
Se a nova informação relaciona uma probabilidade maior de recessão nos EUA com conseqüente impacto significativo sobre os países emergentes, a decorrência imediata é queda dos mercados pelo mundo. Quase a qualquer preço, investidores saem vendendo na tentativa de aumentar sua liquidez e pintam de vermelho o quadro das Bolsas.
Em contrapartida, se a hipótese sugere soft landing na economia norte-americana e descolamento dos países emergentes à piora da situação nos EUA há um esboço de recuperação do preço das ações. Como o noticiário vem pendendo mais ao negativo nas últimas semanas, o parágrafo anterior tem aparecido com freqüência nas manchetes.
Sobra um resíduo a explicar
De forma evidente, as elucubrações sobre os possíveis cenários repercutem no preço dos ativos. Porém, atribuir a magnitude das recentes mudanças no valor das ações a aspectos estritamente racionais encontra restrições.
Os preços dos ativos têm variado em proporção superior às eventuais alterações de fundamentos. Sentimentos de pânico, por vezes, foram vistos no mercado nas últimas sessões. Em intervalos mais curtos, há esboços de euforia, como se o preço alcançado pelas ações embutisse um cenário de extremo pessimismo, permitindo o repique forte para cima.
As explicações para os últimos movimentos da renda variável são repletas de nuances. Se as causas não são conhecidas, arriscar qualquer previsão para o curto prazo fica ainda mais complexo. A maior variância potencializa erros de previsão e torna quase impossível avaliar o comportamento da Bolsa nos próximos pregões.